No seu terceiro longa, Jane Schoenbrun volta a indagar a relação da juventude com as tecnologias, usando como principal ferramenta o gênero de horror. A cineasta novaiorquina ficou conhecida em 2022 com o indie We’re All Going to the World’s Fair e, em 2024, alcançou aclamação da crítica com I Saw the TV Glow – dois filmes que usavam formatos pouco convencionais de terror para refletir sobre experiências da juventude queer, espaço que a diretora, uma mulher trans não-binária, habita.
Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte, que estreou nos cinemas no mês de agosto, tensiona novamente o gênero, dessa vez usando-o para identificar as formas como o consumo de mídia molda nossos medos, desejos e medos-desejos.
Depois de uma passagem – muito aplaudida por sinal – pelo Festival de Cannes deste ano, o projeto chega ao Brasil pela Retrato Filmes, em parceria com a Mubi. A comediante Hannah Einbinder, da série Hacks, e a icônica Gillian Anderson, de Arquivo X, interpretam duas personagens excêntricas unidas por uma trama metalinguística desenhada para fãs de filmes de terror. Na história, Einbinder é uma diretora de cinema encarregada de dirigir a nova iteração de uma franquia de terror; para isso, ela visita a reclusa atriz que estrelou o primeiro filme da série, a personagem de Anderson, uma mulher misteriosa que pode ajudá-la tanto na produção do filme quanto no seu próprio autoconhecimento.
Apesar de abordar, na própria trama, o gênero de horror, o filme flutua entre os reinos dos romances, das comédias e dos coming of age. O encontro das duas personagens rende mais um combate de ideias entre suas visões de mundo do que sustos ou violência, embora haja, sim, algumas cenas sangrentas dignas dos slashers dos anos 80, como a sequência no filme-dentro-do-filme.
Acampamento Miasma apresenta uma forte reverência ao poder das imagens – em especial as imagens cinematográficas, a indústria cultural, as obras de horror – e explora a internalização desse consumo a níveis psicossexuais. “Adolescência, sexo e morte” compõem um subtítulo adequado, pois são elementos centrais na investigação de Schoenbrun sobre o poder das imagens na nossa formação de identidade. A narrativa, que começa deveras direta, evolui rumo a abstrações temáticas sem freio, apostando numa metalinguagem frontal dentro do universo dos filmes de terror para conseguir triangular os três temas.
A íntegra das informações está disponível no site Matinal.




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