O 2º Dia de Naziazeno será lembrado nesta sexta-feira (21), em Porto Alegre. É um evento literário dedicado ao personagem principal de “Os Ratos”, uma das obras mais conhecidas do escritor e psiquiatra gaúcho Dyonélio Machado. “Juntos, vamos percorrer o Centro Histórico, lendo o romance e passando pelos locais onde aconteceram os fatos envolvendo o personagem”, conta o professor e pesquisador literário Jonas Dornelles, um dos organizadores do evento, ao lado do movimento Salve Dyonélio, Urban Sketchers e Memorial Legislativo. A caminhada sai do largo Glênio Peres às 17h30, percorrerá vários locais do Centro Histórico e, às 19h30, no Memorial Legislativo da Assembleia Legislativa, acontecerá um diálogo sobre a vida e a obra do escritor com os professores Cesar Guazelli, Jonas Dornelles e Luís Augusto Fischer.

O livro resgata as memórias da cidade, relembrando a histórica “odisseia de um dia” de um porto-alegrense angustiado por questões financeiras. Dyonélio conta os dramas do funcionário público Naziazeno Barbosa em busca de dinheiro. Tentou de tudo. Do diretor da repartição a colegas, agiotas, casas de penhores, amigos e bancos, apelou por empréstimo. Não conseguiu nada.

Sofreu, caminhou o dia inteiro, não fez o trabalho, tomou dezenas de cafezinhos. O dia ia avançando e nada de dinheiro. Considerado uma das obras mais importantes da segunda geração do modernismo no Brasil, o romance conduz o leitor por essa busca quase sufocante de Naziazeno por uma saída.

Por fim, Naziazeno consegue o dinheiro, mas não consegue dormir. Lembra que precisa pagar a quem lhe forneceu o valor. Numa noite em que não prega o olho, começa a ter alucinações de que ratos estão roendo as cédulas que usaria para pagar o débito. Um périplo de dor e sofrimento. “Os Ratos” tem 28 capítulos curtos e mostra toda a trajetória de um homem pobre na provinciana Porto Alegre de 1935. O livro completou 90 anos em 2025, mesmo ano dos 130 anos do nascimento de Dyonélio, e segue consultado, lido e estudado por estudantes e leitores em geral. Foi escrito em 20 noites, depois do trabalho do autor como médico.

Quando escreveu “Os Ratos”, Dyonélio mostrou os desafios e as agruras de ser um brasileiro pobre em 1935. O endividamento, o dinheiro curto e a dificuldade de encontrar uma saída atravessam a narrativa e fazem com que a angústia de Naziazeno ainda encontre eco na vida de muitos trabalhadores. São 192 páginas acompanhando uma busca desesperada por dinheiro e deixando o leitor na torcida por um desfecho favorável.

A íntegra das informações está disponível no site Brasil de Fato.

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