O Cine Cinco, sala de cinema da PUCRS, exibe nesta quarta-feira (3) “Um Filme de BR”, que encerra a trilogia documental de Wender Zanon sobre as transformações urbanas em Canoas. A sessão com entrada franca ocorre às 17h, seguida de bate-papo com diretor e equipe envolvida na realização do documentário.
O filme acompanha quatro pesquisadores que percorrem a BR-116 em seu trecho que atravessa a cidade, em busca de personagens cujas vidas se entrelaçam com a rodovia. A BR-116, segunda maior rodovia nacional, liga Fortaleza (CE) a Jaguarão (RS) e, ao passar por Canoas, corta o território como uma fissura que divide a cidade em duas partes. Entre encontros e relatos, o documentário apresenta depoimentos de indivíduos que compartilham suas histórias marcadas pela convivência diária com a estrada.
Mais do que retratar a rodovia em si, “Um Filme de BR” toma a BR-116 como dispositivo para alcançar histórias de vida — foco central do documentário. Em relatos orais de moradores, trabalhadores e transeuntes, emergem memórias individuais e coletivas atravessadas pela estrada. “Existem muitas referências que movem este trabalho, mas uma referência bem central e que está desde o início da semente da ideia do filme era horizontalizar o Edifício Master do [Eduardo] Coutinho”, explica Zanon. “Lá o diretor filmava um condomínio, aqui filmamos uma rodovia repleta de significados, que de alguma forma é associada com a cidade, com o seu desenvolvimento e também com os nossos desenvolvimentos como comunidade e individuais”, destaca.
A inspiração em Coutinho também orienta o método: durante dois meses, quatro pesquisadores (as) caminharam pelo trecho da BR-116 em Canoas em busca de personagens e experiências. O gesto da caminhada — nascido da escolha de um recorte geográfico e de suas limitações — funciona como regra autoimposta que libera a criação. Como sintetiza o diretor, lembrando uma ideia de Coutinho: “impor limites pode abrir um campo de liberdade”.
Ao longo do percurso, surgem 17 personagens que compartilham histórias de trabalho, afetos, perdas, violências e rotinas muitas vezes invisíveis. São narrativas de pessoas comuns, que frequentemente passam despercebidas no fluxo acelerado da rodovia, mas que revelam o tecido social que se costura à sua margem. Suas trajetórias, registradas em entrevistas e relatos orais, revelam a ambivalência entre o ritmo acelerado do trânsito e o cotidiano mais lento das comunidades locais.
Com “Um Filme de BR“, Wender Zanon encerra uma trilogia documental iniciada em 2021, dedicada a refletir as transformações urbanas de Canoas. No primeiro filme, “This is Canoas, not Poa”, o diretor mapeou a cena musical local, mostrando como diferentes gerações de roqueiros criaram espaços próprios para afirmar sua identidade cultural diante da dominação simbólica exercida pela capital, Porto Alegre. No segundo, “Ensaios sobre uma Cidade” (2022), voltou-se ao monumento do avião — principal símbolo de Canoas e localizado justamente na BR-116 — para questionar tanto sua centralidade na representação da cidade quanto os processos de militarização associados a ele. Agora, em “Um Filme de BR” (2024), a narrativa se desloca para a própria rodovia, revelando como a estrada que liga cidades, passa por Canoas e a divide.
A íntegra das informações está disponível no site Sul21.




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