O espetáculo Fim de Partida, clássico de Samuel Beckett, será apresentado no Teatro Simões Lopes Neto, encenado por Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França. As sessões ocorrem nos dias 17, às 20h, e 18 de outubro, às 18h – últimos ingressos à venda no site do Theatro São Pedro.
Rodrigo Portella dirige a montagem, que se passa em um cenário pós-apocalíptico em que os personagens Hamm e Clov têm um vínculo atravessado pela violência e crueldade cotidiana. O texto de Beckett nasce do cotidiano do período posterior à Segunda Guerra Mundial, com figuras que enfrentam uma realidade desprovida de sentido, marcada por repetições, jogos de poder e uma espera que nunca se resolve.
Para Portella – diretor de Tom na Fazenda, Ficções, Um Ensaio sobre a Cegueira (Grupo Galpão) e Ray –, o texto de Fim de Partida pode ser dividido em três fluxos. “O primeiro seria a relação simbiótica entre Hamm e Clov, mas numa segunda camada a peça pode ser lida como uma alegoria política. Hamm surge como um déspota, um tirano arbitrário, figura que alude à lógica da guerra e do militarismo, cuja autoridade se funda no poder bélico e opressivo. Clov é o corpo submisso, o soldado em vigília permanente, sempre de pé, incapaz de repouso, a serviço de uma engrenagem que não faz nenhum sentido. A cena torna-se, assim, um campo de poder em ruínas”, conta o diretor, ressaltando ainda a camada metalinguística da montagem.
Essa última dimensão ganha evidência na cenografia de Daniela Thomas, com uma espécie de palco dentro do palco, em uma pequena caixa cênica retangular. “Clov é o clown, o operador da cena, o ridículo, enquanto Hamm assume a figura do ator principal, o narrador canastrão que se sustenta na fabulação de si mesmo. O teatro se dobra sobre ele próprio: há um teatro dentro do teatro”, resume Portella.
Em entrevista à Matinal, Nanini conta que sempre teve interesse em interpretar personagens de Beckett: “Guilherme Weber sugeriu o texto, e dessa forma resolvi o desejo. Beckett nos leva para caminhos diversos, e para o ator, não existe algo mais instigante que desafios”. Juntos, eles já estiveram nas montagens célebres de Os Solitários (2002) e A Morte do Caixeiro Viajante (2004). “O texto de Beckett fala sobre o ser humano, sobre nossas inadequações e buscas. Por isso, ele sempre seguirá atual e comunicando. Digo que todos somos meio Hamm, com seu mau humor e sarcasmo. Mas também enxergo no personagem seu lado frágil e até mesmo amoroso”, completa Nanini.
As informações são do site Matinal.




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