Com um enredo que combina elementos de horror e realidade periférica, o curta-metragem Favela Amarela vem obtendo reconhecimento internacional e faz sucesso na internet. O filme conquistou prêmios em festivais pelo mundo e o trailer, disponível em redes sociais e plataformas de vídeo, alcançou mais de 2 milhões de visualizações. A produção contou com apoio da Lei Paulo Gustavo (LPG), política de fomento que tem ampliado a circulação de títulos brasileiros no país e no exterior.

Ambientado em uma comunidade carioca, o filme segue os passos de um rapaz dividido entre trabalho, estudo e o submundo do crime. “O projeto nasce de uma vontade de discutir as desigualdades sociais brasileiras e o racismo estrutural por meio de uma abordagem diferente, rompendo com formatos tradicionais. Nesse processo, percebeu-se que quase não existiam histórias desse tipo de terror dentro das periferias brasileiras. O horror cósmico entrou como linguagem. Parte da própria história brasileira e da forma como ela se desdobra até hoje já é, por si só, profundamente assustadora”, explica o cineasta Nícolas Lobato, que assina a direção e o roteiro juntamente com Thiago Tuchu.

Segundo ele, a escolha do horror e da fantasia tem como objetivo ampliar o alcance da produção, causando não apenas medo, mas fazendo o público pensar sobre alguns temas. “O fantástico funciona como uma forma de falar de questões como desigualdade, abuso de poder e desumanização da sociedade, sem ser literal. O Brasil sempre se estruturou a partir de processos de exploração, especialmente da população negra, e o filme traz isso para uma camada mais física e violenta dentro da narrativa. O medo funciona como uma porta de entrada para a reflexão, não apenas como um fim”, frisa o diretor.

O curta foi totalmente rodado no Rio de Janeiro, na comunidade Tavares Bastos, no Catete, que na ficção recebeu outro nome. “A escolha da cidade reforça a dimensão cultural do tema, ao mesmo tempo em que amplia seu alcance simbólico e universal. O filme se passa em uma favela, mas não aborda diretamente os temas mais recorrentes associados a esse universo, como violência urbana, tráfico ou milícia”, conta Nícolas.

A íntegra das informações está disponível no site da Agência Brasil.

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